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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Um balanço público do projeto Falando de História em 2010


Nestes últimos dias de 2010, é importante realizarmos uma reflexão sobre tudo. È hora de fazermos um balanço: é necessário revermos as nossas posturas, focalizar nas metas que não foram alcançadas.
Neste interim, podermos dizer que 2010, foi muito importante para o Projeto Falando de História, já que a sua concretização se deu de maneira satisfatória.
O espaço que mais êxito apresentou, foi o deste blog. Realmente quase 10 mil visitas num espaço criado desde janeiro deste ano é realmente algo que me enche de alegria.
Sobre o Portal Falando de História, podemos dizer que teve um êxito, mas ainda sentimos que precisamos trabalhar mais nesta plataforma. Assim, desta maneira, em 2011 o Portal Falando de História passará por mais uma reformulação. Apresentarei novidades, aguardem.
Sobre ao Grupo de Discussão e a Comunidade no Orkut, realmente acabamos por não usa-las. Isto ocorreu devido ao tempo escasso e o entusiasmo com o Blog que realmente me enstusiasmou-me bastante.
A plataforma do Twitter, está engatinhando e creio que será bastante utilizada no próximo ano.
No final deste balanço público, desejaria agradecer a todos aqueles que prestigiam este espaço. Os visitantes ocasionais, bem como, os seguidores. Agradeço a amigos que me incentiivam e me incentivaram neste ano nesta empreitada deste blog!
Feliz 2011 para todos nós! Sucesso e paz!
Noé Gomes

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Curso analisa o mundo pós 11 de setembro

O professor Voltaire Schilling volta no verão para um curso sobre os dez anos de um dos marcos da história contemporânea: os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O curso será dividido em três etapas, sempre nas segundas-feiras, às 18h30, nos dias 10, 17 e 24 de janeiro, na Sala Álvaro Moreyra (avenida Érico Veríssimo, 307). As vagas podem ser reservadas pelo telefone 3289-8072 ou pelo e-mail mailto:cll@smc.prefpoa.com.br.
Curso com o professor Voltaire Schilling
10, 17 e 24 de janeiro
Segundas-feiras
Local: Sala Álvaro Moreyra (Av. Érico Veríssimo, 307)
Horário: 18h30
Inscrições: R$ 20,00 (R$ 10,00 para estudantes, professores e maiores de 60 anos
A queda das chamadas Torres Gêmeas, em Nova York, deu uma nova dimensão às relações políticas internacionais. Além dos acontecimentos daquele 11 de setembro, O prof. Voltaire também vai abordar o acirramento das disputas entre Oriente e Ocidente. O custo é de R$ 20 para o público em geral e R$ 10 para estudantes, professores e maiores de 60 anos. O pagamento, que deverá ser feito no início do primeiro encontro, é único e vale para as três etapas.

Torturas na Ditadura Militar: reflexões e indicações de leitura

Hoje no Blog "História UPF" há um post bastante interessante sobre as torturas ocorridas durante o Regime Militar (1964-1985). O referido post trata da existência de um documentário produzido no início da década de 1970 sobre o assunto. Trechos do documentário estão disponibilizados no site Youtube. 
Aproveitando a oportunidade, a sociedade tem que fazer uma pressão maior para a abertura dos arquivos do período ditatorial, afinal foram 21 anos em que muitos além de torturas, pagaram com suas vidas o direito a liberdade de expressão.

Estamos as vésperas de mais uma sucessão presidencial, espera-se que haja um avanço na abertura dos arquivos. Isto é uma questão de justiça no mar da impunidade aos torturadores. Isso evidentemente é uma cicatriz que jamais sairá. 
Urge a revisão da Lei da Anistia assinada em 1979, é um absurdo prever anisitia a quem torturou e matou! 
Sei que é um tema pesado, mas diante de uma sucessão presidencial é necessário uma reflexão da democracia e uma primeira atitude que deve ser tomada é nunca esquecer os horrorosos 21 anos de traumas e sofrimentos. 
Sobre este assunto recomendo a leitura de uma obra que assim como a de Bartolomé De Las Casas ao contar as torturas realizadas pelos espanhóis aos nativos americanos,  tem o propósito de denunciar o barbarismo realizado no Brasil entre 1964-1985. Falamos da obra "Brasil Nunca Mais".
A obra é o resultado do  projeto “Brasil: Nunca Mais” desenvolvido por Dom Paulo Evaristo Arns,  Jaime Wright (Pastor presbiteriano) e equipe,  realizado de forma  clandestina nos anos de chumbo  
O projeto gerou uma importante documentação sobre a história do Brasil, sistematizou informações de mais de 1.000.000 de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar (STM) revelando a extensão da repressão política no Brasil cobrindo um período que vai de 1961 a 1979, atualmente constituí-se no fundo mais pesquisado do Arquivo Edgard Leuenrouth na UNICAMP em Campinas.[
O relatório completo, resultado do esforço de mais de 30 brasileiros que se dedicaram durante quase seis anos a passar nossa história a limpo, reescrevendo-a a partir das denúncias feitas em juízo por opositores do regime de 64, bem como o livro publicado pela Editora Vozes, tiveram papel fundamental na identificação e denúncia dos torturadores do regime militar e desvelaram de forma incontestável, as perseguições, os assassinatos, os desaparecimentos e as torturas; atos praticados nas delegacias, unidades militares e locais clandestinos mantidos pelo aparelho repressivo no Brasil.
O projeto foi  realizado com o intuito de educar e não se deixar esquecer os momentos tristes e arbitrários vividos por tantos brasileiros e o descaminho trilhado em nosso país com a quebra da legalidade constitucional.
Em resposta ao livro de Arns, os militares escreveram o Tentativas de Tomada do Poder baseado em documentação produzida pelos órgãos de repressão do período, contendo uma versão policial sobre a história e as pessoas citadas.
Mais sobre o assunto ...
Versão Digital do Projeto Brasil  Nunca Mais - http://www.armazemmemoria.com.br/

Biblioteca Pública do Estado deve reabrir no ano que vem após passar por restauração


Fechada para visitação desde fevereiro de 2007, quando começaram as obras de restauração, a Biblioteca Pública do Estado completará 140 anos, em 2011, com a volta do público. A previsão é que, ainda no primeiro semestre, o prédio histórico seja parcialmente reaberto, para atividades culturais, como recitais.
Nesta segunda-feira (27/12), foi apresentada a segunda etapa do restauro, que custou R$ 2,5 milhões, financiados pelo BNDES por meio da Lei Rouanet. A conclusão das obras está prevista para 2012, totalizando um investimento de R$ 7 milhões. Com a presença do secretário de Estado da Cultura, Cézar Prestes, a diretora da Biblioteca Pública e coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas, Morgana Marcon, mostrou a recuperação dos pisos de parquê originais, das aberturas (portas e janelas) e da fachada do prédio – que recebeu proteção contra pombos, como telas à frente dos bustos de mármore.
Também foram renovadas a rede de comunicação e elétrica e instalados dutos para climatização. Os entrepisos (que ficam entre o parquê e o cimento), antes comprometidos por cupins, agora reforçam a estrutura. Entre os espaços renovados estão o Salão Mourisco, o Salão Egípcio e o salão que abriga o acervo, no segundo andar. A próxima parte da obra, que custará R$ 4,5 milhões, ainda em fase de captação, vai recuperar lustres, mobiliário, murais, escadarias, entre outros.
Texto: Jornal Zero - Segundo Caderno

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

As polêmicas em relação à existência de Jesus

Por Bárbara Forte
O filósofo Mário Sergio Cortella, mestre e doutor em Educação e professor-titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da PUC-SP afirmou que não há mais polêmicas sobra a existência de Jesus, mas há, sim, a dificuldade de algumas pessoas entenderem a existência dele não como homem, mas como filho de Deus. O especialista participou de entrevista no programa Canal Livre, que foi ao ar neste domingo, às 23h30, na Band.
Entrevistado pelos jornalistas Fábio Pannunzio, Fernando Mitre, e Antônio Teles, Cortella ainda discutiu a importância da figura de Jesus no Cristianismo e as comprovações de sua existência, pouco conhecida ainda hoje. “Temos os evangelhos canônicos, que são documentos do início do século 19 pouco aceitos como fontes documentais oficiais”.
De acordo com ele, antes dos 30 anos, não há documentos que comprovem a existência e as ações do filho de Deus. “É importante ressaltar, ainda, que esses dados fazem com que haja uma confusão com a figura ‘mítica’ ou ainda ´mística’ de Jesus, como alguns ainda o veem”, afirmou o especialista.

Espírito Santo

Perguntado sobre a expressão da Santíssima Trindade, o filósofo explica sobre a visão de três deuses em um só. “Em João há uma explicação mais teológica sobre o assunto. É onde Cristo fala como si mesmo, fala de Deus como pai e fala sobre o Espírito Santo”, afirmou.
O especialista ainda discute, no último bloco do programa, sobre os evangelhos apócrifos, polêmicos em relação ao que a Igreja Católica defende e sua autenticidade.
Texto extraído de: http://www.band.com.br/jornalismo/brasil/conteudo.asp?ID=405834

Confira a edição de Páscoa  do Canal Livre

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5

Projeto Falando de História no Site Café História


Com a premissa de uma melhor utilização de espaços proporcionados pela evolução cientifica tecnológica, como a internet, o Projeto Falando de História, entra em mais uma plataforma. Desta vez, o Falando de História está na rede social Café História.
A intenção é divulgar o site, blog e twtter  que mantenho neste ano. Além é claro, de interagir com os colegas de diversos estados do Brasil e até mesmo de outros países.
Em 2011,  teremos mais novidades, por agora esta é ultima plataforma criada neste ano de 2010.
Confria a página do Projeto Falando de História nesta rede social em: http://cafehistoria.ning.com/profile/FalandodeHistoria?xg_source=msg_wel_network

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010


sábado, 18 de dezembro de 2010

Exposição sobre a Revolução de 1924 na Internet

O Arquivo Público do Estado de São Paulo desenvolveu uma exposição virtual sobre a Revolução de 1924, conflito marcante na história brasileira. Entre os documentos que serviram de base para esta exposição estão processos criminais instaurados contra os rebeldes após a Revolução de 1924 e cartas dos líderes deste movimento, além de jornais e revistas da época. Esse evento histórico é contado em 9 "salas" repletas de textos e ilustrações.
Esta exposição também oferece 15 atividades pedagógicas que podem ser aproveitadas pelos professores em sala de aula, pois possibilita utilizar fontes históricas para debater este tema com seus alunos.
Fonte: Site da ANPHU Nacional

Retrospectiva do Site Yahoo!

O Site Yahoo! no seu Portal de Notícia, faz uma retrospectiva do que aconteceu no Brasil e no Mundo, em diversos segmentos. Aponta dez fatos importantes ocorridos na política, no esporte e até mesmo as "pérolas" do seu outro site "Yahoo! Respostas".
Confira a retrospectiva do Site Yahoo! Clique Aqui

Curso Pesquisa em História Regional na Escola

Proposta: O Curso de História, buscando primar pela indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Nesse sentido, propõe o Curso de Extensão Pesquisa em História Regional na Escola, com o objetivo de oportunizar um espaço de formação continuada aos professores de História e propiciar aos alunos a experiência de praticar novas metodologias de ensino-aprendizagem. O projeto se centra na pesquisa e no estudo de História Regional e local sob a modalidade EaD – semipresencial - num total de 40h, com o encaminhamento e apoio técnico da UPF Virtual. A metodologia prevê a realização de três módulos, conforme o programa abaixo.

Público-alvo: Professores de História de nível básico das redes pública e privada de Passo Fundo e da região de abrangência da UPF

Corpo docente:

Profa.Dra. Ironita P. Machado (coordenador)

Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Profa. Dra. Gizele Zanotto

Me. Benhur Jungbeck (AHR)

Carga horária: 40 horas

Modalidade: Semipresencial (15 horas presenciais e 35 a distância via Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle)

Vagas: 25

Período de realização: março a julho de 2011

 

Programa do curso:

Módulo I – Docência, Pesquisa e Ensino

1.1. Referenciais Teóricos e Metodológicos:

Pesquisa histórica;

Fontes escritas e orais

História Regional

Transposição Didática

1.2. Atividades Práticas no Arquivo Histórico Regional


Módulo II – Ensino de História e Pesquisa em História Regional

2.1. Referenciais Historiográficos:

História Regional, local e currículo escolar

Procedimentos Metodológicos e Planejamento de Pesquisa em

História Regional no Ensino de História

Inventário de temas de pesquisa e de eventos históricos centenários em 2011

2.2. Atividades Práticas na Escola, no AHR e MHR.



Módulo III – Prática de Pesquisa histórica no Ensino

3.1. Proposição de temáticas e elaboração de projetos de pesquisa

pelos alunos do ensino básico

3.2. Desenvolvimento da pesquisa – AHR e MHR

3.3. Elaboração de Texto, com os resultados da pesquisa;

3.4. Participação em Concurso Monográfico promovido pela Escola e/ou Instituição mantenedora.

Inscrições: a partir de janeiro (link Eventos e Cursos no site www.upf.br)

Investimento: R$ 20,00

Promoção: Curso de História da UPF, Arquivo Histórico Regional e Núcleo de História Regional do Programa de Pós-Graduação em História da UPF

Fonte: Blog de História UPF

Maio de 1968

O mês de Maio de 1968, simboliza um marco para a História do Século XX. A revolta iniciada pelos estudantes franceses, teve como elementos uma geração dizimada pela 1ª Guerra Mundial; a invasão humilhante de Adolf Hitler a Paris; um clima de revolta na população,  a França dos anos de 1960, sob o comando do general Charles De Gaulle, era uma sociedade culturalmente conservadora e fechada, vivendo ainda o reflexo das perdas sofridas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Lembrarmos que nas escolas francesas, as crianças eram disciplinadas com rigidez, ass mulheres francesas tinham o costume de pedir autorização aos maridos para expressarem uma opinião. A homossexualidade era diagnosticada pelos médicos como uma doença.
O berço da revolução, que deu o contorno  político-social contemporâneo, a "Revolução Francesa", vivia um momento de uma efervescência de ideias. 
O Maio francês rapidamente repercutiu em vários países da Europa e do mundo, de uma forma direta e imediata. As ocupações de universidades se multiplicaram a partir da França, e ocorreu a expansão das mobilizações entre os trabalhadores europeus e latino-americanos, em muitos casos em aliança com os estudantes. O movimento francês teve início na Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, que foi cercada no final de abril por estudantes liderados por Daniel Cohn-Bendit. Em 5 de maio, cerca de 10 mil estudantes entraram em choque com policiais no bairro laitino Quartier Latin, em Paris, em um protesto contra o fechamento de outra universidade francesa, a Sorbonne, em Paris.  Teve dois fatos marcantes a "Noite das Barricadas" e a "Greve Geral contra De Gaulle".
No  artigo, publicado no site História e História, Rafael Leite Ferreira,  intitulado: "Das salas de aula às barricadas: a rebeldia estudantil e seus significados. França, maio de 1968." faz uma reflexão bastante interessante sobre este movimento.
Os ecos do Maio francês, foram sentidos na "Passeata dos Cem Mil"  realizada  em memória ao  estudante paraense Edson Luís de Lima Souto, de 16 anos, que foi  morto pela polícia no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, Brasil. Secundarista e pobre, quando Edson estava almoçando no restaurante quando foi mortalmente baleado. Ao contrário do que o governo publicou na época, Edson não era líder estudantil nem participava de confrontos armados. A morte de Edson Luís virou um marco na luta estudantil contra a ditadura. Seu enterro foi histórico, unindo centenas de pessoas em protesto, repúdio e luto.


Velório do estudante Edson Luis

Referências:
Blog aisdeprata-e-pixels. Maio de 68, conflito de gerações? Disponível em: http://saisdeprata-e-pixels.blogspot.com/feeds/posts/default?start-index=89&max-results=22 .(Acesso: 18.dez.2010)

QUATTROCCHI, Angelo; NAIRN, Tom. O começo do fim. Rio de Janeiro: Record, 1998.

Folha Online.Conheça alguns dos principais conflitos ocorridos no mundo em 1968.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396744.shtml (Acesso: 18.dez.2010)
 
________. Para Daniel Cohn-Bendit, Maio de 68 foi "conquista da liberdade" Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396770.shtml (Acesso: 18.dez.2010)
 
________. Maio de 68 foi auge da década em que jovens "aceleraram" a história. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396547.shtml (Acesso: 18.dez.2010)

________. Saiba como o movimento estudantil francês se espalhou pela Europa. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396757.shtml (Acesso: 18.dez.2010)

A Lei 10.639/03 e a sala de aula

Novamente o Blog Falando de História, trata sobre a questão da Lei 10.639, que possuí um carater de avanço histórico, pois após 300 anos é que foi reconhecida a participação dos negros na construção do Brasil. Até aí, tudo bem. Mas há uma dúvida: quais são os reais avanços e desafios no ambiente escolar? Isonel Sandino Meneguzzo, em um brilhante texto publicado no site História e História, discorre sobre esta temática.
Faço a indicação da leitura deste artigo, que pode ser acessado em: http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=alunos&id=345#linkref1
Penso, sempre ser válida as reflexões sobre as nossas práticas no ambiente escolar.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Núcleo de Teatro e História apresenta Alceste


O Núcleo de Pesquisa em Teatro e História da ULBRA e o Grupo Terreira da Tribo apresentam a tragédia Alceste, de Eurípedes. Este é um textos fundamentais em que mito e tragédia gregos atualizam-se na modernidade. Esta versão apresenta o texto clássico traduzido, com a música incidental composta por G. F. Händel, a cargo do cravista Fernando Turconi Cordella.
Sob coordenação de Paulina Nólibos, o grupo se apresenta nos dias 17 e 18 de dezembro, no Studio Clio (Rua José do Patrocínio, 698, Cidade Baixa), em Porto Alegre, a partir das 20h.
A entrada tem o valor de R$ 20 para o público em geral e R$ 15 para professores, estudantes e idosos.
Fonte: Portal. de Notícias do Ensino da ULBRA
Extraído de: http://www.ulbra.br/noticiasdoensino/2010/12/nupethis-apresenta-alceste

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Atividades Museu História Medicina do RS.

Sarau Lírico Especial de Natal
No dia 16 de dezembro às 18h30min acontece na Sala Rita Lobato do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul o Sarau Lírico Especial de Natal do projeto Quintas no Museu. O evento terá a participação das sopranos Carolina Veloso e Paola Bess, dos tenores Eduardo Guimarães e Rafael Martins, dos barítonos André Luiz Andrade e Francis Padilha e do pianista Leandro Faber. Neste dia também será lançado o livro "Beneficência Portuguesa: a primeira sociedade de socorros mútuos do Rio Grande do Sul", organizado por Juliane C. Primon Serres, Éverton Quevedo e João Carlos Reichardt. A publicação é financiada pela Caixa Econômica Federal e editada pela EdiPUCRS. Prefácio do médico e escritor Moacyr Scliar, que nasceu na Beneficência Portuguesa. Após o lançamento e o recital, às 19h30min, haverá coquetel e sessão de autógrafos. Durante o dia haverá ainda o bazar natalino do projeto Geração de Renda da Saúde Criança.

A primeira sociedade de socorros mútuos do RS

O livro que será lançado neste dia festivo encerra as comemorações dos 140 anos do Hospital Beneficência Portuguesa, que neste ano foi homenageado com a entrega do "Corredor da Memória", exposição permanente oferecida pelo museu à instituição, e com a exposição de curta duração "140 anos, Ora Pois! A Beneficência Portuguesa conta sua história.", que segue até 30 de abril de 2011 (Visitações de terça a sexta-feira das 12h às 20h. Sábados, domingos e feriados das 15h às 20h).

DIvulgação de Eventos GT Acervos ANPUH-RS

O GT Acervos ANPUH-RS divulga os eventos abaixo:




quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Revolução de 1930 em Dossiê

O CPDOC-FGV disponibiliza em site um dossiê sobre a Revolução de 1930 que agrega documentos, entrevistas, arquivos e outros materiais. Para acessar clique na imagem. Descrição do site abaixo.

Abertura
A Revolução de 1930 inaugurou um período da história nacional que muitos ainda acreditam não estar totalmente encerrado. Oitenta anos depois, historiadores, cientistas sociais e intelectuais divergem sobre o legado desse período que trouxe Getúlio Vargas ao poder. Este portal pretende chamar a atenção para esse importante evento que marcou os rumos da política e da democracia brasileira.

Ecos da revolução
Ao oferecer ao público parte de seu acervo referente à Revolução de 1930, este Dossiê dá destaque especial à memória e aos relatos orais existentes sobre uma das obras mais importantes publicadas sobre o tema. Trata-se do livro “A Revolução de 1930”, que é comentado por seu próprio autor, Boris Fausto, em uma entrevista exclusiva concedida aos pesquisadores Paulo Fontes e Ludmila Ribeiro por ocasião da comemoração dos 80 anos desse evento.

A revolução de 1930 no acervo do CPDOC
Poderão ser encontrados aqui os principais elementos que compõem o acervo do CPDOC e de alguma forma estão relacionados à temática “Revolução de 1930”. São documentos textuais (manuscritos ou impressos) e visuais pertencentes aos arquivos pessoais de homens públicos doados ao CPDOC, além de depoimentos colhidos pelos pesquisadores do Centro.

Produção acadêmica
Esta janela reúne e põe à disposição do leitor os escritos do corpo docente e de pesquisadores do CPDOC acerca da Revolução de 1930 e de temas afins. Artigos, ensaios e capítulos de livro visam a atender ao interesse de todo aquele que queira se debruçar sobre o assunto.
Fonte: Blog Curso de História da UPF
Extraído de: http://historiaupf.blogspot.com/2010/12/revolucao-de-1930-em-dossie.html
magem: Site Blog Curso de História UPF

Escravos não foram vítimas passivas

Reis: "Escravos não foram vítimas passivas"
Dayanne Sousa

A história da escravidão no Brasil não precisa ser uma história de vítimas, avalia João José Reis. O historiador está lançando com mais dois autores o livro O Alufá Rufino, resultado de uma extensa pesquisa para reconstruir os passos de um escravo que, liberto, foi marinheiro em navios negreiros.

Autor também de um longo estudo sobre a Revolta dos Malês (levante de africanos liderado por muçulmanos na Bahia), ele acredita que a história da escravidão tem ganhado mais espaço nas escolas, porém critica o tom de "vitimização".
- Essa história não precisa ter o tom da vitimização somente. Acho melhor as crianças e adolescentes aprenderem que os escravos não foram vítimas passivas de suas circunstâncias, que resistiram como puderam.

O novo livro, também assinado pelos historiadores Flávio dos Santos Gomes e Marcus de Carvalho, narra a vida de Rufino José Maria, que era alufá, um mestre malê. Ele vivia onde hoje fica a Nigéria, mas foi vendido a traficantes baianos e passou oito anos como escravo em Salvador.

Reis destaca que Rufino teve a chance de viajar para vários locais, mesmo quando escravo. Esteve no Rio Grande do Sul, comprou sua liberdade, foi a Angola e depois passou a integrar a tripulação de um navio negreiro.

Em entrevista por e-mail, Reis destaca a importância de dar luz a um personagem a princípio desconhecido, alguém que não era ilustre.
- É importante que os rebeldes explícitos como Zumbi, os malês, Manuel Congo e outros sejam lembrados, festejados e estudados, mas não devemos esquecer os heróis do dia a dia, anônimos, que foram a maioria dos escravizados.

Leia a entrevista na íntegra.

Terra Magazine - Primeiro, gostaria que o senhor comentasse um pouco sobre o processo de pesquisa de O Alufá Rufino. Como foi que o senhor e os outros pesquisadores passaram a conhecer a existência desse personagem - o Rufino José Maria - e quais foram as referências para conhecer a vida dele?
João José Reis - O primeiro documento foi encontrado pelo historiador Flávio Gomes, da UFRJ, no Arquivo Nacional. Era a cópia de um inquérito policial enviado pelo governo pernambucano ao ministro da Justiça. A polícia investigava rumores de uma conspiração africana no Recife, em 1853. Ao vasculhar a casa de Rufino foram descobertos muitos manuscritos em árabe, inclusive uma cópia do Corão provavelmente feita por ele. As autoridades o prenderam, pois lembraram-se da Revolta dos Malês, um levante de africanos liderado por muçulmanos em 1835 na Bahia. Rufino também era malê, termo que vem do iorubá imalê, muçulmano. De fato ele era alufá, um mestre malê. Sob interrogatório, além de afirmar sua fé com muita dignidade, conhecimento e segurança, contou sua vida de aventuras e desventuras, desde quando fora capturado em sua terra natal, o poderoso reino de Oyó na atual Nigéria, em torno de 1820.

E quais as fontes dessa pesquisa, além do inquérito policial?
As fontes para o livro são muitas e bem diversas, estão em documentos de arquivos baianos, cariocas, gaúchos, angolanos, portugueses e ingleses, nos quais seguimos as pistas deixadas por Rufino. Nem sempre o encontramos cara a cara, mas encontramos gente com quem ele conviveu, principalmente seus senhores e empregadores, mas também outros escravos e libertos, marinheiros, capitães de navios, viajantes, autoridades políticas e policiais brasileiros, portugueses, angolanos, ingleses, serra-leonenses etc. Com esses personagens, recompomos para o leitor os diversos ambientes em que Rufino viveu, inclusive sua experiência no mar. Foi a narrativa do próprio Rufino que traçou o roteiro do livro, uma vida que daria um roteiro de filme.

Em que medida o retrato deste homem é também um retrato da escravidão naquele período? Não quero generalizar as coisas, mas o que o senhor destacaria como um traço marcante da vida dele e do momento? O fato de ele ter comprado a alforria e depois trabalhar em navios negreiros é uma ironia típica?
Sua vida foi excepcional, mas não totalmente incomum. Dos cerca de cinco milhões de escravos importados da África para o Brasil, que foi o maior consumidor deles nas Américas (cerca de 45% do total), a imensa maioria morreu escravizada, não teve a chance de conhecer a liberdade, provavelmente morreu servindo ao primeiro e único senhor.
Rufino foi diferente. Além de mudar de senhor várias vezes, e de se alforriar, circulou muito dentro e fora do Brasil, tanto como escravo quanto liberto. Mas muitos libertos africanos foram marinheiros de navios negreiros. Nesse sentido Rufino não foi exceção. Entre 1780 e 1860, 17% dos tripulantes dos negreiros brasileiros eram africanos. Desconhecemos, no entanto, outros que tenham deixado eles próprios tantas pistas sobre sua biografia. Usamos Rufino como uma espécie de guia para discutir a escravidão nos vários lugares onde ele viveu e que visitou, no Brasil, na África e sobre o Atlântico.
Boa parte do livro se dedica ao tráfico transatlântico de escravos num momento crucial, quando já proibido pelo Brasil e reprimido pela marinha britânica sobretudo nas costas africanas. O embate entre ingleses e traficantes foi longo e custoso para ambos os lados, centenas de navios foram apresados, o conflito teve uma face política e diplomática - de um lado os países importadores de cativos, como o Brasil, do outro a Inglaterra -, mas o livro se volta mais para os embates no mar e nos entrepostos do tráfico, que detalhamos. E Rufino no meio disso tudo. O livro tem ritmo de aventura, eu acho.

O Rufino é um personagem como o Eichmann foi para Hannah Arendt (Eichmann em Jerusalém), por exemplo? Um membro de uma engrenagem histórica e social, mas que não era necessariamente o mais ilustre, um líder, um mandante? Qual a importância de personagens assim para a historiografia?
Rufino foi um personagem bem menor para o escravismo do que Eichmann foi para o nazismo. Mas era uma importante pequena peça da máquina escravista atlântica, que ajudou (literalmente) a alimentar como cozinheiro de negreiro, mas também como pequeno traficante. Personagens de seu tope - não necessariamente com a mesma ocupação, mas libertos africanos - são cada vez mais o foco da recente historiografia, personagens cujas vidas, no mais das vezes, aparecem de relance, um flash apenas, em geral parte de episódios dramáticos, de crimes, revoltas etc. Dificilmente conseguimos dados para narrar um pedaço tão grande da trajetória de pessoas como Rufino.

Vou sair um pouco do tema do livro, para falar sobre seu trabalho na história da escravidão. O senhor já escreveu sobre a Revolta dos Malês, que é um fato histórico daqueles que a gente não aprende muito no colégio, não é? A história da escravidão no Brasil é "mal contada" nesse sentido? Nós a valorizamos?
Hoje encontramos episódios como a Revolta dos Malês em livros didáticos e em salas de aula, a coisa está melhorando sobretudo devido à lei que obriga a inclusão nos currículos escolares de temas como a história da África e do negro no Brasil. Mas essa história pode ser bem ou mal contada. Essa história não precisa ter o tom da vitimização somente. Acho melhor as crianças e adolescentes aprenderem que os escravos não foram vítimas passivas de suas circunstâncias, que resistiram como puderam a virar mera máquina de trabalho, que resistiram a isso de diversas formas, nem sempre através de atos heróicos, da rebeldia aberta, mas através de formas mais sutis de resistência, fazendo corpo mole, fingindo-se doentes, manipulando psicologicamente seus senhores, fugindo para uma festa, batendo atabaques, cultuando seus deuses, aprendendo a ler e escrever a língua do Corão.
É importante que os rebeldes explícitos como Zumbi, os malês, Manuel Congo e outros sejam lembrados, festejados e estudados, mas não devemos esquecer os heróis do dia a dia, anônimos, que foram a maioria dos escravizados.

Fonte: Histórica (Terra Magazine)

História do rádio no Rio Grande do Sul

Por Simoni Helfer, vulgo Gordeenha.

A história do rádio no Rio Grande do Sul começa em 1924, quando um grupo de radioamadores trouxe a Porto Alegre um aparelho transmissor feito na capital Argentina, Buenos Aires, inaugurando assim a primeira rádio sul-rio-grandense, que recebeu o nome de Rádio Sociedade Riograndense.

A Rádio Sociedade Rio-Grandense foi desenvolvida nos mesmos padrões da primeira rádio brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada um ano antes em 1923 e criada por Roquette Pinto, o “pai da radiodifusão brasileira”. A rádio que funciona até hoje, foi doada por seu fundador ao Governo Federal (mais precisamente ao Ministério da Música, Educação e Cultura) e alterou seu nome para Rádio MEC.

Já a Rádio Sociedade Riograndense não existe mais, acabou em um breve período de tempo, encerrou suas atividades com pouco menos de dois anos de vida, pois não conseguiu se sustentar por meio das mensalidades de seus associados.

Algum tempo depois, em 1925, surge a primeira emissora baseada com moldes comerciais: a Rádio Pelotense, sediada na cidade de Pelotas. Sua programação era inspirada nas transmissões das rádios argentinas, pois aqui se ouvia muito o que era transmitido nas rádios da nossa vizinha Argentina. “É uma questão que herdamos da vizinhança. Ao longo das décadas de 20 e 40, ouvimos muito as emissoras argentinas. Hoje, o rádio argentino já não tem a mesma qualidade, mas durante muito tempo foi referência, e isso certamente nos influenciou” afirma Armindo Antônio Ranzolin, director-geral da Rádio Gaúcha.

No início foi difícil a implantação do rádio como meio de comunicação, pois havia poucas pessoas que dispunham de um aparelho radiofônico, assim alguns donos de emissoras decidiram alugar rádios receptores. As famílias então pagavam um valor mensal e tinha acesso à programação através dos aparelhos alugados. Foi a partir disso que o negócio começou a criar forma.

A Rádio Pelotense, ainda em funcionamento, é considerada, portanto, a mais antiga emissora de rádio comercial do Rio Grande do Sul.

Podemos destacar ainda a Rádio Gaúcha, fundada em 1927, e a Rádio Guaíba criada em 1957. Ambas são referência para o restante das emissoras do Brasil. Um exemplo é na transmissão de jogos futebolísticos, onde os narradores fazem o duplex, que consiste em transmitir dois jogos de futebol ao mesmo tempo. O caso mais conhecido é quando a dupla Grenal joga no mesmo dia e horário.

Concluindo, podemos afirmar que o modo de operar das rádios gaúchas é diferente, traz consigo um modo só nosso de fazer rádio. De acordo com radialista da Band AM e presidente da Associação de Cronistas Desportivos Gaúchos, João Garcia “o nosso radiojornalismo é de opinião. O de São Paulo também tem opinião, mas tem muito mais informação, enquanto o rádio do Rio é informativo. Mas o tipo de rádio que nós fazemos é realmente único. Se a gente observar, a maioria das nossas entrevistas é ao vivo, e as intervenções dos repórteres são rápidas. Em emissoras do Rio e de São Paulo é diferente: há muita entrevista gravada. Essa é uma característica que distingue o nosso rádio, além do forte viés investigativo”.

Em questão de rádio não somos nem piores, nem melhores, apenas singulares.

Referencial
A rádio no Rio Grande do Sul, disponível em http://www.aminharadio.com/
Rádio MEC, disponível em lhttp://pt.wikipedia.org/wiki/radio_MEC

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Curso de Extensão FAPA e Memorial do RS

A FAPA e o Memorial do RS, divulgam o curso de 40 horas "AS REPRESENTAÇÕES DO NEGRO EM DIFERENTES SUPORTES DE TEXTO" que visa oportunizar aos acadêmicos e à comunidade em geral situações de reflexão em torno da questão afro, a partir de abordagens que auxiliem o individuo à leitura de produtos culturais estruturados pelas sociedades brasileira e africana. Intensificar ações de integração e visibilização do Curso de História da FAPA junto à comunidade porto-alegrense.
Maiores informações, clique aqui
Fonte: ANPHU-RS

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Reflexões sobre a questão da “Raça”

Em entrevista ao Site [grifo meu] Café História, a historiadora Mônica Grin fala de seu recém-lançado livro sobre a questão “racial” no Brasil e fornece importantes chaves de entendimento sobre este importante tema contemporâneo

Neste mês de novembro, a seção de entrevistas do Café História, o "Conversa Cappuccino", conversou com a historiadora Mônica Grin, que acaba de lançar seu livro: "Raça" - Debate Público no Brasil, publicado pela Editora Mauad X e pela FAPERJ. Nesta entrevista, a autora falou sobre como surgiu a idéia do livro, deu sua opinião sobre as polêmicas ações afirmativas e comentou sobre o multiculturalismo. Não deixe de conferir e de deixar seu comentário. Suas idéias são valiosas para o desenvolvimento deste tão importante tema.

Mônica Grin é professora no Departamento de História e no Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordena o Núcleo Federal Interdisciplinar de Estudos Judaicos da UFRJ e é autora de artigos e livros na área de estudos judaicos contemporâneos e de relações raciais.

CAFÉ HISTÓRIA - Professora, antes de mais nada, muito obrigado por aceitar esta entrevista do Café História. Entrando já em nossa primeira pergunta, a senhora acaba de lançar o livro “Raças” – Debate Público no Brasil. Por que este tema e porque agora?

MÔNICA GRIN - Esse tema é resultado de uma década de reflexão, quando finalizei minha pesquisa de doutorado e constatava já em 2000 a emergência de uma nova modalidade de tratamento de emergência do tema racial no Brasil: a “raça” se insinuando não mais como categoria biológica, como no passado, mas como sujeito de direitos na república brasileira. Esse tema é recuperado agora, porque entre o fim da minha tese (em 2000) e hoje, pode-se depreender uma perspectiva histórica que reforça a minha hipótese, de dez anos atrás, de que estaríamos diante de um processo de racialização em curso no Brasil. O presente livro é uma evidência de como esse processo pode ser observado hoje em vários contextos: desde juízos formulados pela opinião pública, passando por políticas públicas (adoção de cotas raciais), até debates intelectuais.

CAFÉ HISTÓRIA - Em sua opinião, como a historiografia brasileira abordou até agora a questão da raça, no Brasil ? Trata-se de uma questão já bastante analisada ou que ainda necessita de novos olhares?

MÔNICA GRIN - “Raça”, da perspectiva da historiografia, é sempre tratada como uma categoria classificatória já presente no Brasil desde a escravidão. Depois ela foi objeto de criticas à república brasileira que, através do racismo e das raciologias, teria privilegiado o imigrante em detrimento do negro, transformando o negro em um sub-cidadão, ou “quase-cidadão”. Há também os registros nos quais a “raça” dilui-se sob o signo do mito da democracia racial, que ora é objeto de rigorosa critica, especialmente criticas dirigidas a Freyre e à sua versão “condescendente” do racismo no Brasil, ora é objeto de celebração, como expressão de uma cultura racial que se fundaria na miscigenação, na tolerância e na harmonia raciais. O maior problema são os excessos de um lado e de outro. Essa questão possui hoje um novo estatuto e devemos pensá-la como uma questão que se afirma politicamente, através da luta do movimento negro de inspiração norte-americana. Trata-se de compreender hoje a forma da luta antirracista como uma luta não de eliminação da “raça”, mas como uma luta de promoção da “raça”. Hoje debate-se leis que tendem a promover a “raça”, como a lei das cotas raciais e a lei do Estatuto da Igualdade Racial. Portanto, essa questão merece novos olhares, especialmente vinda da pesquisa histórica.

CAFÉ HISTÓRIA - Estamos chegando ao fim da Era Lula (2003-2010). Durante este período houve mudanças no debate público no Brasil sobre a questão racial? Como este debate se diferencia, por exemplo, daquele ocorrido nos Governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)?

MÔNICA GRIN - No governo Lula o debate sobre “raça” em geral e sobre a “raça” como sujeito de direitos, ganhou principalmente uma versão institucional. Desde 2003 o governo Lula conta com uma Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (SEPPIR) que promove sistematicamente políticas focais ou particularistas dirigidas especialmente aos negros. A institucionalização da questão racial é parte do processo de racialização que venho identificando no Brasil há uma década. O governo FHC iniciou, no entanto, as primeiras articulações de projetos de políticas públicas dirigidas especificamente para os negros. Foi no governo FHC que essa história teve inicio, como questão política da República, e que os compromissos com o movimento negro, sobretudo a partir de Durban, em 2001, iniciam-se.

CAFÉ HISTÓRIA - Há algum tempo, a comunidade científica desconstruiu a falsa idéia de que a humanidade é formada por diferentes raças. Como podemos explicar a sobrevivência desta idéia não apenas no senso comum, mas também dentro de movimentos sociais, setores intelectuais e até mesmo em espaços acadêmicos?

MÔNICA GRIN - É espantoso mesmo! O que se diz é que não se trata mais daquela raça biológica, já condenada pela ciência. Trata-se de transformar a “raça” em uma categoria política cuja eficácia na luta contra o racismo seria indiscutível. É como se a promoção da raça fosse o melhor antídoto para se combater o racismo. Combate-se o racismo através da sua prórpria criatura, a “Raça”. Os exemplos históricos que mostram os estragos que qualquer promoção racial promoveu na Europa com o nazismo, nos EUA com a segregação racial e na África do Sul com o Apartheid, parecem não sensibilizar os intelectuais que defendem políticas públicas racializadas.

CAFÉ HISTÓRIA - No meio intelectual e acadêmico, o debate recente sobre as cotas em universidades públicas gerou manifestos pró e contra a medida. Como você se posiciona diante desta questão?

MÔNICA GRIN - O inconveniente de se tratar essa questão quer de uma perspectiva histórica, quer de uma perspectiva sociológica, é que o tema convida a posicionamentos políticos. Não sou militante de causa alguma, mas posso manifestar o meu desconforto com todas as formas de promoção racial aqui ou em qualquer lugar. Achar que o problema da desigualdade no Brasil necessita de políticas especificas para pessoas de pele mais escura, ou como se prefere, da “raça” negra, é brincar com um tema que historicamente promoveu os maiores genocídios em nome da promoção racial, do orgulho racial e das diferenciações raciais. Se ser contra os genocídios que se promovem ainda hoje em nome do racismo e da intolerância exige ser contra cotas raciais (que é uma forma de promoção racial), então sou contra as cotas raciais.

CAFÉ HISTÓRIA - Em entrevista recente ao jornal OGLOBO, o professor da USP, Demétrio Magnoli, fez duras críticas ao multiculturalismo. Para Magnoli, este tipo de ideologia gera um mosaico de comunidades e reforça políticas discriminatórias e racistas, muitas das quais servem de base para políticas demarcatórias e excludentes, como aquela do governo de Nicolas Sarkozy, na França. Professora, a senhora concorda com esta visão sobre o multiculturalismo?

MÔNICA GRIN - Desde 2000, com a finalização da minha tese de doutorado (que foi sobre multiculturalismo), venho identificando problemas de introdução desse paradigma no Brasil. Tenho salientado que o multiculturalismo em nome do reconhecimento da diferença étnico-racial e em nome da redistribuição com base em reparações históricas por violências cometidas no passado, vêm introduzido no Brasil uma das mais nefastas ideologias raciais: a de que a sociedade brasileira seria dividida basicamente em duas “raças”: a branca e a negra, e que tal divisão é a melhor maneira de identificar qual “raça” deve ser sujeito de direitos no Brasil, com base em direitos de reparação histórica a que governo brasileiro deve aceder. Ademais, o multiculturalismo exibe sua força quando, uma vez disseminado em vários órgãos do governo brasileiro, ou instituições brasileiras, acaba por transformar temas caros à nossa cultura, em objeto de tribunal racial. Parte da obra de Monteiro Lobato (e quantos outros virão) é considerada pelos adeptos do multiculturalismo que hoje estão à serviço do Estado brasileiro, como politicamente incorreta, uma vez que se refere de forma “racista” a sua personagem negra, Tia Anastácia, por exemplo.

CAFÉ HISTÓRIA - África do Sul, Estados Unidos, França. Todos esses países são citados quando ao assunto é a questão racial. No que a discussão racial nestes países de se aproxima ou diferencia da discussão racial travada no Brasil?
MÔNICA GRIN - A experiência pós-apartheid da Africa do Sul e de Ações Afirmativas nos EUA do pós-segregação, são, em geral, associadas aos exemplos ativados por segmentos do movimento negro e da inteligentsia que apóiam a promoção racial no Brasil. No caso da França, aqueles que são adeptos das políticas republicanas universalistas, tendem a olhar para o caso Frances como um caso de resistência republicana aos apelos do multiculturalismo.

CAFÉ HISTÓRIA - Hoje, na internet, há muitos blogs e fóruns de discussão, inclusive em domínios brasileiros, que negam o holocausto nazista, que acusam os judeus de dominar a economia e os meios de comunicação. São discursos frágeis, mas que acabam convencendo muitas pessoas não-especialistas no tema. Como podemos classificar este tipo de discurso? Antissemita? Antisionista? Ambos? O que diferencia hoje essas duas classificações? Devemos nos preocupar com um recrudescimento do antissemitismo?

MÔNICA GRIN - Sou sempre muito crítica em relação aqueles que se apóiam em teses conspiratórias que vê o antissemtismo em todos os lugares e em todos os tempos de uma e da mesma maneira. Hoje o antissemtismo possui outros ingredientes que já não estão fundamentados nas dinâmicas antissemitas de contextos como da guerra e do período pre-guerra. O antissemitismo hoje está mais associado ao anti-sionismo, à crítica as formas como o Estado de Israel lida com os seus “outros” não judeus. Isso não significa negar que na Internet há manifestações racistas e que tal fato atrai os incautos. Sabemos que há no Brasil, no entanto, lei que pode perfeitamente penalizar essas manifestações.

CAFÉ HISTÓRIA - Professora, muito obrigado pela sua atenção. Para encerrar, que referências bibliográficas a senhora recomendaria para os leitores do Café História que desejam se aprofundar no assunto?
MÔNICA GRIN - FRY, P. e MAGGIE. Divisões Perigosas; FRY, P. A Persitência da RaçaO Atlantico Negro; MAIO, M. e VENTURA, R. Raça: uma questão; entre outros

Dica de Leitura

Para aquelas pessoas interessadas em História Social, indico-lhes a Revista TOPOI da UFRJ, confira a em: http://www.revistatopoi.org